terça-feira, 26 de abril de 2011

Top Five Eportes Radicais que eu vou praticar em 2011

Uma das minhas decisões de Ano Novo (sim, ainda dá tempo de falar sobre isso) é que, em 2011, eu finalmente vou levar à sério minha saúde e que vou praticar esportes. Mas, sabe, queria sair um pouco do senso comum e comecei a pesquisar novas modalidades que me inspirariam a ser um praticante regular.

Dessas minhas pesquisas, elaborei um TOP FIVE dos melhores esportes que, sem dúvida, você vai me ver praticando ainda neste ano. Confira!



sábado, 12 de fevereiro de 2011

Jimmy Bolha

Eu tive um professor de cursinho que dizia a seguinte frase: "Tem época de vacas magras em que a gente não é aprovado nem em exame de fezes..." Mau gosto e humor duvidoso à parte, não pude deixar de lembrar disso hoje, e vou explicar o porquê...

É que depois de passar a quarta-feira de cama, espirrando que nem um condenado, com a cabeça pesada (e nem era a minha consciência... juro!), numa crise de rinite, decidi que era hora de procurar um médico. Você sabe como é, homem só vai ao médico quando a parada é grave! Então reuni forças e parti para a Clinicor, conversar com a Dra. Maria Aparecida Ribeiro de Matos, alergista (ou alergologista???).

Essa médica é excelente! Chegou na hora, atendia rápido e super bem. Fui chamado e, depois de 2 minutos de papo, quis examinar minha nareba. Para isso, ela usou uma lanterna e reuniu uma equipe de espeleólogos... Ao retornarem da minha cavidade nasal, a dra. olhou pra mim com uma carinha de dó e disse: "Hmmm". Encostou aquele estetoscópio gelaaaado e auscultou meus pulmões. Sentia cada alvéolo reclamando quando ela insistia para que eu respirasse bem fundo. Mas isso não foi o pior. O pior ainda estava por vir...

Voltei para a cadeira. Sorridente e no piloto-automático, típico de quem faz isso o tempo todo, a médica marcou meu antebraço com uma caneta e foi pingando uma gotinha de cada frasco que estava sobre a mesa. Elogiou meu manto lipídico (obrigado, Protex!!!) e, enquanto eu conversava animado, ela simplesmente foi furando a minha pele com uma agulha... Minha curiosidade costumeira me impulsionou, e ela disse, bem tranquila, que era para os agentes alergênicos penetrarem na epiderme... Cara, isso não podia ser boa coisa!

Ela mandou eu voltar para a sala de espera. O sorrisinho dela não estava mais condescendente. Reparei aquele brilho meio sádico no olhar, que todos os médicos tentam esconder mas que o Dr. House insiste em escancarar... Sentei. Fui tuitar, já que eu tinha esquecido minha revista em casa.


Primeiro, senti apenas um leve formigamento. Um minuto depois, uma coceira diabólica. Depois, uma queimação que me fez ter vontade de arrancar o braço. Claro que eu aguentei firme. Havia crianças na sala de espera. Eu tinha que dar o exemplo. Dez minutos de espera, com o meu braço pipocando, parecendo ter vida própria, sendo desfigurado por umas "empolações" esquisitíssimas. Não sentia dor. Mas confesso que fiquei em dúvida se aqueles tais "agentes" não tinham entrado na minha corrente sanguinea...

A médica me chamou, e abriu a porta para mim, simpática. O curioso foi olhar para a reação dela quando viu meu braço! Ela virou pra mim e disse: "Você é alérgico à tudo!" E foi aí que a frase desagradável do meu professor de cursinho veio à memória. Não passei no teste de alergia... e aqui vai a lista:

- Ácaros de todas as espécies.
- Germes.
- Pelos de animais.
- Penas (de animais, também!).
- Baratas (tanto a germânica quanto a americana, frise-se).
- E uma pá de outras coisas das quais eu não me lembro agora.


Desfiou uma série de recomendações. Quase me proibiu de eu mesmo fazer a limpeza da minha casa (o quê!?!)... tenho que comprar máscara, capas antialérgicas para os colchões e travesseiros, me livrar dos tapetes, providenciar limpeza 2 vezes por semana, lavar roupa de cama com água quente (!!!), desligar o ar-condicionado antes de dormir... E mais: raio-x da fuça pra confirmar sinusite e vacina todo mês (detalhe: R$ 50 sem cobertura do plano de saúde). É por essas e outras que eu não curto muito ir ao médico! Agora tenho receita para um spray nasal (coisinha potencialmente viciante).



E no fim das contas, pensei no Jimmy Bolha, e dei total razão para o Howard Hughes (O Aviador). Finalmente, algumas de minhas manias favoritas agora têm receita médica!



sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Tio é a vovozinha!!!

É estranho como não nos damos conta da passagem do tempo. O tempo é algo completamente incontrolável, indomável e – admito – implacável.

Estava eu enevoado em meus profundos pensamentos, admirando as gôndolas da seção de materiais de limpeza de um supermercado local. Analisava rótulos e composições químicas, odores, aplicações... Enfim, as maravilhas tecnológicas da faxina doméstica. Como é sabido, estou experimentando opções para potencializar minha performance nessa área.

Enfim... o fato é que, distraído, não percebi que o meu carrinho de compras ficou mal estacionado, e que, em conjunto com um daqueles “pallets móveis” (que os funcionários do estabelecimento usam para transportar produtos e promover o reabastecimento das prateleiras), trancou o trânsito daquela via. Foi aí que ouvi, ao longe, uma voz que chamava insistentemente pelo tio. Ignorei completamente. Depois, a pessoa trocou de tática e passou a optar pelos “psiu” - vocativos altamente irritantes, aos quais também não dou a menor bola. Mas parou de fazê-lo após 10 ou 12 tentativas. O tal tio – imaginei –, quem quer que seja, não estava muito a fim de conversa.


Quando raciocinava comigo sobre as possíveis propriedades antialérgicas de um novo produto para lustrar móveis, senti um leve toque no cotovelo. Virei-me, e dei de cara com um rapaz de aproximadamente 1,90, magro, com um bigodinho nunca escanhoado. Os braços um tanto compridos demais e uma voz incorreta, cheia de falsetes:

     - Tio, o senhor pode tirar o carrinho do caminho?
     - ...
     - Tio?
     - ...

Eu estava paralisado. Como assim, tio? Até onde eu sei, tenho apenas um irmão que, recém-casado, ainda não teve filhos...

Um adolescente, de quê, no máximo uns 17 anos, quase “de maior”, me chamando de “tio”? Ainda que meu corpo não respondesse, paralisado por aquele pronome familiar que eu usava só no jardim de infância, a mente calculou rápido e mergulhou num emaranhado de lembranças, na tentativa desesperada de solucionar aquele novo problema... “Tio”???

Sou da época em que Sorriso se chamava Kolynos e o tubo de pasta de dente era de metal. Você precisava dobrá-lo para conseguir usar todo o conteúdo. Sou do tempo em que desenho animado tinha “moral da história” no final. Eu jogava videogame com um controle de apenas um botão (numa época em que pouco se usava palavras inglesas, “joystick” era “manete”). Grupo de vingadores mascarados se chamava Changeman, programa matutino para crianças era TV Colosso. Eu vi o impeachment do Collor, ouvi muitas vezes o hino nacional tocando domingo de manhã no final da corrida, comemorei 2 títulos mundiais e sofri com 2 desclassificações da seleção em Copas. Usei MS DOS e Windows 3.1, gravei trabalhos do Corel Draw 3 num disquete, bati papo na novíssima internet com o mIRC e com o ICQ. Uma época em que trabalho escolar era feito em papel almaço, copiado da Barsa. Pesquisa na rede era no Cadê ou no AltaVista e conta de email era no BOL. Vi o dinheiro mudar umas 4 vezes. Teve festa lá em casa quando compramos nossa linha de telefone residencial (um investimento). Antes, ligava do orelhão (com fichas parecidas com moedas!!!). Tenho diploma de datilografia. Fiz vulcão em Feira de Ciências. Programa de comédia era com os Trapalhões. Assisti a séries como: Barrados no Baile, Punk – a levada da breca, Alfie – o ETeimoso, a Gata e o Rato, No Mundo da Lua, Anos Incríveis, Dawson's Creek, Batman (com uniforme cinza e onomatopéias). Aliás, vi o 1º Batman no cinema – dormi na metade do filme –, vi Xuxa contra o Baixo Astral. Na minha época, Malhação era realmente numa academia de “ginástica”. Joguei Pula-Pirata, Aquaplay, Tazo (!!!). Eu joguei PacMan no fliperama. Joguei Carmen San Diego num programinha de 8 bits no computador. Tinha um boneco do Cavaleiros do Zodíaco. Brinquei de rádio-pirata num gravador de fita k7. Dancei em “bailinhos” ao som de Kid Abelha. Acompanhei a tristeza geral por causa da morte do Renato Russo, dos Mamonas... Tinha um tênis KiChute e pirava com o Pirocóptero! Perdi muito tampão de dedão jogando bola (dente-de-leite) na rua de paralelepípedo!!! Eu era da época em que Havaianas era “chinelo de dedo”... Eu escrevi e recebi uma centena de cartas e...

     
     - Tio???
     - TIO É A VOVOZINHA! - gritei, dentro da minha cabeça.

Olhei pro garoto, uma década distante de mim... E com uma resignação única de quem nasceu nos anos 80, eu respondi, quase paternal:

      - Claro, meu filho. Pode passar...